O STF confirma afastamento de Cunha do cargo de deputado federal
A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou nesta quinta-feira (05) o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do cargo de deputado federal.
A sessão começou por volta das 14h30 com o voto do relator do caso, ministro Teori Zavascki, que recomendou o "afastamento imediato" de Eduardo Cunha e disse que o deputado utiliza a Câmara como um balcão de negócios.
— O que se busca com a medida ĂŠ que as condutas ilĂcitas praticadas pelo deputado nĂŁo estĂŁo sob o manto do mandato que lhe foi conferido por sufrĂĄgio.
A decisĂŁo do relator foi acompanhada integralmente pelos outros ministros da Corte, que nĂŁo pouparam elogios Ă liminar proferida pelo relator Teori Zavascki.
— Teori esgotou a saciedade de todas as questĂľes. Cumprimento por ter lavrado esse voto na madrugada de hoje. Acompanho integralmente — disse o ministro Luiz Fux.
Ao emitir sua posição, o ministro Roberto Barroso lembrou uma pergunta que lhe foi feita durante uma conferĂŞncia e declarou que “eu nĂŁo quero viver em outro paĂs, quero viver em outro Brasil”.
Ao iniciar seu voto, Antonio Dias Toffoli afirmou a decisĂŁo ĂŠ “drĂĄstica, uma decisĂŁo realmente pra lĂĄ de incomum”.
— Inicialmente o meu pensamento seria no sentido de afastar, diante de todos os argumentos do relator, no sentido de afastar da presidĂŞncia da casa, mas nĂŁo suspender o exercĂcio do mandato. Por que a suspensĂŁo do mandato em medida cautelar ĂŠ algo de gravidade maior. Mas acompanhando a imbricação que ele traz a todos os elementos colocados, a realidade nos impĂľe que nĂŁo sĂł seja afastado da presidĂŞncia, mas tambĂŠm que haja a suspensĂŁo do exercĂcio do mandato.
Ao comentar a independĂŞncia dos poderes, ministro Gilmar Mendes afirmou que “o respeito Ă institucionalidade exige que tambĂŠm haja um respeito por parte dos ĂłrgĂŁos e das instituiçþes em relação aos valores ĂŠticos que subjazem ao estado de direito”.
Gilmar Mendes disse que afastamento de Cunha passou a "ser urgente pela chegada do impeachment ao Senado" jĂĄ que Cunha serĂĄ o primeiro na linha sucessĂłria da PresidĂŞncia da RepĂşblica caso o impeachment de Dilma seja aprovado.
Teori leu a liminar na Ăntegra por aproximadamente duas horas destacando alguns trechos e disse que "hĂĄ indĂcios claros" de que Cunha tentou obstruir as investigaçþes da CPI da Petrobras e impedir indiretamente que a ação contra ele tramite no STF.
— [Cunha] tem meios e ĂŠ capaz de efetivamente obstruir a investigação, a colheita de provas, intimidar testemunhas e impedir, ainda que indiretamente, o regular trâmite da ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal, assim como das diversas investigaçþes existentes nos inquĂŠritos regularmente instaurados.
Na manhĂŁ desta quinta-feira, Zavascki concedeu uma liminar de 73 pĂĄginas atendendo a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da RepĂşblica) que apontou 11 atos que justificavam a saĂda de Cunha. O procurador-geral disse que o presidente da Câmara ĂŠ um "deliquente" e o acusou de interferir nas investigaçþes da Operação Lava Jato.
Eduardo Cunha Ê rÊu no STF pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro nos esquemas de desvios envolvendo a Petrobras. Embora tenha sido afastado do cargo, Cunha não irå perder as prerrogativas de deputado federal, ele continuarå com foro privilegiado e recebendo salårio.
Cunha disse que irĂĄ conceder uma entrevista coletiva nesta tarde em sua residĂŞncia oficial para comentar a decisĂŁo do Supremo Tribunal Federal.

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