Batalha por impeachment chega ao "New York Times": afinal, o que diz o jornal?
Em referĂŞncias anteriores a Temer, o jornal escreveu que ele nĂŁo ĂŠ exatamente um "cavalheiro em armadura brilhante", mas um polĂtico de carreira "quase tĂŁo impopular" quanto Dilma. E acrescentou que seu partido, PMDB, estĂĄ mergulhado num escândalo que nĂŁo para de crescer.
O veĂculo tambĂŠm ironizou a votação do processo na Câmara em reportagem publicada na segunda-feira (18). Segundo a matĂŠria, os argumentos jurĂdicos pelas chamadas pedaladas fiscais eram as coisas menos importantes nos discursos dos parlamentares e a sessĂŁo poderia ser confundida com um "jogo de futebol" por aqueles que nĂŁo estivessem familiarizados com o teor "cacofĂ´nico" dos polĂticos brasileiros.
No mesmo dia, em reportagem intitulada "Câmara do Brasil vota pelo impeachment de Dilma Rousseff", a publicação chamou Eduardo Cunha de "força motriz" por trĂĄs do processo e informou que o "evangĂŠlico que usa sua conta no Twitter para divulgar versos bĂblicos" era acusado de ter uma conta na SuĂça para receber US$ 40 milhĂľes em propina.
Quanto Ă s razĂľes para o impeachment, o veĂculo cita frequentemente o grande debate sobre haver ou nĂŁo de crime de responsabilidade fiscal por parte de Dilma, hipĂłtese que embasa o processo.
Reportagem de terça-feira (19) intitulada "Debate sobre impeachment no Brasil depende de questĂŁo jurĂdica espinhosa" afirma que a discussĂŁo "se concentra em uma questĂŁo crucial: ela cometeu um delito passĂvel de impeachment?". No mesmo texto, o jornal afirma que a estratĂŠgia usada no governo Dilma, de financiar temporariamente o governo com dinheiro de bancos estatais, nĂŁo ĂŠ novidade, jĂĄ que foi aplicada por vĂĄrios outros polĂticos, mas "nenhum presidente enfrentou punição por isso atĂŠ agora".
"Dilma e seus aliados vĂŁo, sem dĂşvidas, continuar a salientar que muitos dos legisladores que conduzem o esforço do impeachment sĂŁo acusados de crimes muito mais sĂŠrios do que ela. Esse ĂŠ um ponto vĂĄlido."A mesma visĂŁo, de que os crimes de Dilma nĂŁo sĂŁo tĂŁo graves quanto os dos opositores que desejam seu afastamento, aparece tambĂŠm no editorial "Enfrentando impeachment, Dilma Rousseff luta por sobrevivĂŞncia polĂtica", de segunda-feira (18). No texto, o jornal diz que a presidente estĂĄ sendo culpada pela "crise econĂ´mica do PaĂs e a sobreposição de investigaçþes sobre corrupção".
O "New York Times", no entanto, nĂŁo poupa crĂticas Ă gestĂŁo da presidente e cita seu envolvimento com a Petrobras como ponto preocupante. "Permanece o fato de que ela presidiu uma era de estagnação econĂ´mica. Ela tambĂŠm nĂŁo pode evitar perguntas sobre corrupção que antecedem sua presidĂŞncia. Antes de ser eleito, Dilma era chefe do conselho da Petrobras, empresa estatal de petrĂłleo do PaĂs, que estĂĄ no centro de muitas das investigaçþes de corrupção."
O jornal conclui o editorial dizendo que, "para Dilma sobreviver, terĂĄ de apresentar uma visĂŁo clara de como vai consertar a economia brasileira e acabar com o tipo de corrupção que se transformou em algo corriqueiro em BrasĂlia. Alcançar isso vai requerer uma liderança mais forte e uma maior clareza de ideias que ela nĂŁo foi capaz de reunir atĂŠ agora"



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